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And that’s a wrap

Maio 12, 2008

Finito…
Atlanta foi tranquilo, não tava no pique mesmo de ficar em cidade grande. O que eu mais fiz na verdade foi tentar matar o tempo antes de ir pro aeroporto e pegar minha conexão para Miami.

Dei um rolê num shopping (me segurando pra não comprar nada) e depois fiz acho que o meu melhor almoço num lugar chamado Flying Biscuit. Um carinha tinha me recomendado num dos shows lá em Chapel Hill e eu consegui achar. Disse que era famoso e culinária sulista e tal.

Como eu gosto das coisas mais simples acabei pedindo tipo um steak, com batatas e ervilhas etc. Tava muuuito bom. E o lugar tão lotado que acabei comendo no balcão mesmo, mas valeu a pena. Não aguentei nem comer um docinho de sobremesa. Ainda consegui dar umas voltas num lugar mais central da cidade. Larguei o carro num estacionamento e fiquei zanzando por lá. Tinha um aquário super famoso que todo mundo ia, mas não tava no clima. Tentei ir num Museu do Design que tinha lá, mas estava fechado, então fiquei andando pelas ruas mesmo.

Até chegar a hora de buscar o carro no estacionamento e ir pro aeroporto. Devolvi o carro, peguei o businho pro terminal e beleza. Pra sair é mais fácil que entrar né? O porre é a espera mesmo. E nenhum wifizinho de grátis pra ajudar.

Em Miami ainda comi um sanduíche pronto e pronto! bye bye.

(agora é planejar a próxima)

Stone Mountain

Maio 10, 2008

No caminho para Atlanta fui parar nesse parque chamado Stone Mountain e foi ótimo. Acabei passando o dia lá. É um parque enorme e tem de tudo um pouco.

Tem uma parte de diversões. Então é tudo cenografado como uma vila antiga, como se fosse no tempo da conquista do oeste talvez. E tem lojinhas e comidinhas e umas atrações. Daí lá tem também um trem antigo que dá uma volta de 40 minutos pelo parque todo. E numa outra parte uma marina com passeios de barco.

Mas tudo gira em volta da dita cuja Stone Mountain. É uma formação geológica interessante: uma pedrona gigante no meio do parque. Acho que tem uns mil metros de altura e tem uma escarpa que dá pra ir subindo nela: uns dois quilômetros pedra acima. É beeem legal. E lá em cima tem uma vista espetacular também. Quando cheguei no topo vi que tinha um bondinho que subia lá, mas à pé (e de graça) foi muuuito melhor.

E num dos lados da pedrona estão esculpidos os rostos de três ‘heróis’ confederados da guerra civil; o General Lee e outros me fogem agora. Tipo um Mount Rushmore, mas versão Confederada. Eu não manjo muito da guerra civil norte-americana, mas… google is your friend. Os estados do sul (confederados) se separam da união (estados do norte, yankees) por causa de questões da escravatura e blá blá blá… guerra. No final, o norte vence reincorporando os estados rebeldes. Acho que é isso. Todo sulista é metido a ser independente né, hahaha.

Foi um dia bom. Não sabia muito o que ia fazer e no final valeu muito a pena. Daí rumei pra Atlanta mesmo e achei esse hotel pra ficar. Com internet!!! Agora é fazer as últimas coisas e ir se preparando para a volta.

Nos finalmente

Maio 10, 2008

Esses últimos dias foram bem “estradísticos”. E com alguma dificuldade para encontrar lugares pra ficar e principalmente uma internet decente. Mas tudo bem.

Saí de Asheville e continuei descendo a Blue Ridge Parkway em direção à Georgia. Fazendo as paradinhas de sempre porque o visual é realmente de impressionar. Fiz uma parada mais longa porque nesse ponto tinham umas trilhas que levavam pra umas cachoeiras. Eram pequenas, mas sempre é legal de ver. Umas das quedas era bem longe; uma placa dizia que ficava a 1,6 milhas de distância, mas não chegava nunca.

Depois passei por Cherokee, na entrada no maior parque americano, o Smokey Mountains National Park. Mas só passei porque pra visitar tem que ficar por lá mesmo, com tempo e tal. A cidade de Cherokee é engraçada. Veio da aldeia índigena (e ainda tem bastante índios e descendentes lá), mas é um lugar totalmente comercial, tentando se aproveitar da fama e da localização. Passei batido, só parando pra comprar algo de comer (meu almoço: uma pringles e um chocolate).

Daí fui bater em Athens, já na Georgia. É outra ‘college town’, abrigando a University of Georgia. Foi de lá que saíram o R.E.M. e o B52’s. Cheguei bem tarde e quase não achei lugar pra ficar porque era época de formatura e as famílias de todos os alunos vão pra lá.

No final, achei um lugar, dei um rolezinho à noite e só. Queria comer no lugar que o vocalista do REM tirou o nome “automatic for the people” mas já tava fechado. Tem um club alternativo famosos lá também, o 40 Watt, mas eu nem sabia quem ia tocar e acabei desistindo. Chega uma hora que tudo cansa.

No dia seguinte, acordei e dei outra volta – agora de dia. Mas não tinha muito pra fazer, então me mandei pra Atlanta.

Na montanha

Maio 8, 2008

É… chegou a hora de deixar Chapel Hill. Acho que fiquei meio desorientado até, porque me peguei ouvindo Pink Floyd no carro, enquanto deixava a cidade, hahaha.

Parti para o oeste da Norte Carolina, em direção às montanhas. Fui para uma cidadezinha chamada Blowing Rock. Almocei num pub e depois fui conhecer a ‘blowing rock’ propriamente dita. É uma formação rochosa que faz com que o vento sopre verticalmente, então objetos leves parecem flutuar para cima. É único lugar que neva pra cima!

Tem uma lenda de um guerreiro índio que pulou de lá e depois voltou voando para sua amada. Não estava ventando muito, mas uma hora deu pra ver umas folhinhas levitando. Mas o mais legal é a vista das montanhas. Espetacular.

Depois disso peguei um estradinha chamada Blue Ridge Parkway, que vai passando no meio dessa cadeia de montanhas. É lindíssima e cheia de lugares para parar, olhar e fazer pequenas trilhas para observar os picos da região. Parava de cinco em cinco minutos. Então demorei bastante. Quando começou a escurecer, procurei essa cidade onde estou agora: Asheville.

Tentei achar o centrinho, mas não consegui. Talvez amanhã ainda tente dar uma volta lá, já que estou hospedado mais afastado. Acabei jantando num Mc Donald’s pra economizar. O plano é continuar nessa Blue Ridge Parkway.

Foi nessa região que filmaram aquele “O Último dos Moicanos”, entre outros. Aqui também tem a ‘Cold Mountain’, mas o filme mesmo foi feito na Romênia. Pode???

Terça no Cat’s Cradle

Maio 8, 2008

Ontem à noite foi o dia do Cat’s Cradle. Jeffrey Lewis, Rosebuds e British Sea Power. Nada mal para uma terça-feira.

O primeiro eu não conhecia, mas é um novaiorquino maluquete que se apresentou com seu violão. Ele também é cartunista e, por duas vezes, no “show”, ele parou para mostrar uns ‘filmes’ pra gente. Na verdade, eram uns quadrinhos gigantes que ele ficava virando as páginas e “cAntando” a história. Nessas horas ele ligava um gravadorzinho com uma base de violão que ele mesmo já tinha gravado. Foi engraçado.

Nos Rosebuds eu me decepcionei um pouco. Se apresentaram só como trio e, ao vivo, achei que faltou alguma coisa. Mas valeu a pena, lógico. O British Sea Power foi bem bom. Os caras são bem competentes e saí de lá com os ouvidos zunindo. Puseram um monte de galhos em todo o palco e no final estavam bem loucos, abusando das microfonias, plantando bananeiras e teve um que partiu pro crowd surfing.

O Cat’s Cradle é bem legal. Não é um bar (vende bebida, lógico), e sim uma casa de shows, ponto. Do jeito que eu gosto, simples, pequeno, chão de cimento, paredes pintadas e desenhadas, luzinhas de natal, posters na parede etc. Pena que não vi mais shows lá, mas quem sabe uma próxima vez…

Life on the Hill

Maio 6, 2008

O vídeo que eu gravei aí embaixo não está funcionando né? Preciso ver o que acontece pois é o meu relato de domingo… Hoje, segunda, sem grandes novidades. Mais um dia tranquilo em Chapel Hill. It’s a good life.

Tive um dia bem normal, tentando me passar por um cidadão normal. Pô, as pessoas acham que sou europeu por causa do sotaque. Não ligo de acharem, apesar de eu cheirar muuuuito melhor que qualquer europeu, mas, sotaque… que sotaque??? hahahah

Mas nem fiz nada de mais. Consegui um tubo pro meu poster, mais uma volta no campus da UNC, correio, CD Alley. Acabei comprando mais uma camiseta daqui porque é barato e as minhas limpas estão no final. Comi um pedaço de pizza no Pepper’s Pizza. Depois voltei pra cá, dei uma arrumada na bagunça e agora à noite fui ao cinema. Assisti a esse filme chamado ‘The visitor’. Um bom drama. Gostei e até que foi fácil de entender.

Hold on to that feeling…

Maio 3, 2008

Cara, hoje eu tive dia de mulher, hahaha. Brincadeira.
Não, mas é sério.

Pois é. Dormi um pouco mais e então me arrumei e fui passar o dia em Chapel Hill. No caminho me lembrei de uma coisa. O lugar que rolou o show ontem é conhecido como Farmers’ Market. Mercado dos Fazendeiros, sei lá. E o Win Butler, do Arcade Fire, comentou que hoje era o trigésimo aniversário do lugar e que todos deveriam ir lá prestigiar e suportar o comércio local.

Pensei, deve ser interessante. Acabei indo pra lá. Parei o carro no mesmo lugar e fui dar uma volta ali. Era uma feirinha, com as pessoas vendendo produtos e plantas e flores. Bem bacaninha e simpático. It’s a simple life. Se eu gostasse de geléia teria comprado uma.

Como o carro já tava parado – e de graça – resolvi deixar ele lá e andar a pé pelas ruas principais (Main St em Carrboro e Franklin St em Chapel Hill; uma é continuação da outra). Estava um dia bem bonito, com várias pessoas na rua, crianças, cachorros etc.

Primeiro parei num shoppingzinho chamado Carr Mill, procurando uma loja chamada Wootini. É tipo uma artshop. Na frente tem um espaço para exposições e mais no fundo a loja propriamente dita. Muuuito legal. O cara tava rolando um Belle & Sebastian. Fiquei olhando os toys, mas os bacanas eram meio caros. Mas eles também tem livros. Então fiquei lá viajando. No final das contas, comprei um de Rock Posters dos anos 90. Daí achei uns bonequinhos do Tim Burton que eram mais baratinhos (mesmo porque são industrializados). Daí peguei esses bonecos também.

Saí de lá e dei uma passada na frente do Cat’s Cradle pra ver se ia ter mais algum show interessante por essas datas. Mas não vi nada de novo. Passei por todo comércio de Chapel Hill e fui parar na University of North Carolina. Na verdade, a universidade está no meio da cidade e vice-versa. É como um imenso parque, todo arborizado, com os prédios espalhados.

Nos gramados, o pessoal ficava deitado, jogando frisbee, brincando com as crianças ou cachorros. Dei um rolê até um certo ponto e daí também fiquei lá lagarteando. Descobri um bosque no meio do campus, com os todos os tipos de árvores e matos e plantas e flores. Tudo com plaquinhas identificando. Era o jardim botânico, da faculdade de biologia. Fiz outra parada ali.

De volta à Franklin Street, passei numa lojinha da faculdade e comprei uma camiseta e um boné da UNC. É impressionante. Eles têm tudo. Todos os tipos de roupas, todos os esportes, todos os tamanhos. Tudo com o “North Carolina”.

Já era mais que hora do almoço e eu parei no Carolina Brewery. Sentei no balcão, em frente aos tonéis de fermentação, e pedi o cardápio de cervejas. Acabei escolhendo a Sky Blue Golden Ale, prata no mundial de cerveja. Tinha até uma outra que tinha sido ouro, mas eu quis a “Céu Azul” mesmo. Olha, tá aliii com a Colorado. Muito boa. Como eu estava a pé, tomei outras.

Eu não queria comer hamburguer, mas não teve jeito. Pedi um Tar Heel Burguer. “Tar Heel” é o apelido do estado e dos habitantes aqui na North Carolina. Eu não sabia o que significava, achava que era um bicho; então perguntei pro barman. Daí ele explicou que era uma velha história que as pessoas contavam, do tempo da guerra civil. As tropas norte-carolíneas não arredavam pé daqui, como se tivessem ‘tar’ no seus ‘heels’ (calcanhares). Eu perguntei o que era ‘tar’ e ele falou “you know, aquela substância preta grudenta…” e daí eu lembrei: piche (ou pixe??). Calcanhares de piche!!

Saí dali e passei no lojinha de Comics incrível. Passei mal. E eu ainda estava meio tchubilu né. Tinha tudo e uns livros bem legais. Mas me segurei. Daí achei uma loja de discos e não teve jeito. Aí eu passei mal mesmo. Fiquei olhando tudo, mas parei numa seção de música local, mas nada me chamou muito a atenção. Pra não passar em branco, comprei um Portastatic usado. E só. Saí dali rapidinho.

Então voltei pro campus e fui no Morehead Planetarium. Era bem legal e conceituado, tendo servido de treinamento pros astronautas americanos nas décadas de 60 e 70. Tinha uma lojinha, uma exposição arqueológica sobre os ‘antigos carolíneos’ e uma outra sobre ciências, com várias interatividades. Sentei num terminal e pedi pra examinar umas estrelas. Eles tem uns telescópios no Chile que são operados (também) remotamente e ficam varrendo o céu. Preenchi o meu e-mail e assim que o céu permitir o telescópio vai tirar uma foto da minha nebulosa e disponibilizar. Tinham outras coisinhas bacanas também e projeções e informações. Gostei.

Daí peguei um show sobre a vida no universo no teatro do planetário propriamente dito. Bem legal. Acho que eu nunca tinha ido num show de planetário antes. Bom, eu fui no da fonte da juventude em St Augustine, mas era muuito velho. Esse era fino!

Saindo de lá ouvi uma música rolando numa daquelas casas gigantes de fraternidades que ficavam ali em frente. Queria ver se tava rolando uma fiesta, hahaha. Mas cheguei mais perto e era “Don’t Stop Believing” do Journey. E nem tinha nada mesmo.

Comecei a voltar para o carro, que a essa altura estava bem longe.
Agora estou aqui escrevendo esta e pensando no que fazer. See you.

Untied

Maio 3, 2008


não fui eu que gravei.

Wake up

Maio 3, 2008

não fui que gravei

Looking good, feeling good

Maio 3, 2008

Bom, ontem e hoje foram os dias dos shows do Arcade Fire e Superchunk. Nem vou comentar muito especificamente porque não tenho palavras; foi simplesmente incrível. “Awesome” como eles dizem aqui.

Pra não passar esses dias em branco, vai um relato meio aleatório. Pro show do dia primeiro eu tinha conseguido um ingresso pela internet. Foi só a questão de imprimir o e-mail. Já tava com ele na mão, mas tinha que ir até Greensboro – local desse primeiro show. Pelo que eu tinha visto ia demorar mais ou menos uma hora até lá. Deve ficar a umas 60, 70 milhas daqui.

Passei num supermercado e comprei um sanduíche pronto e umas batatas. E ainda tive que ouvir da caixa: “nice lunch you got there”. Achei que ela estava sendo mais sarcástica do que simpática. Enfim, fui comendo no caminho.

Cheguei lá e o show era no estacionamento desse Greensboro Coliseum. E tinha lugar pra estacionar. Beleza. Já havia fila antes da entrada dos portões. Daí fiquei lá esperando. As pessoas vem e ficam te perguntando: “já votou? vai votar?”. Não entendo o sistema deles, primárias etc. Só sei que o dia da eleição aqui na NC é terça-feira, mas durante toda a semana você já pode votar.

Enfim, eu tinha que ficar falando “não, não votei. eu não posso votar. sou estrangeiro”. Bem, abriram a fila e o povo foi entrando. Eu balancei meu e-ticket e entrei também. Consegui pegar um lugar bem na frente, a um metro do palco. Daí foi só alegria. Na volta pra cá, eu estava ainda tão adrenado que me peguei dirigindo a umas 85 milhas por hora (o limite era 65). Nem saí à noite e fiquei por aqui mesmo.

Hoje, acordei, tomei um café e pensei ‘como vou fazer pra ir nesse show???’. Para os shows de hoje os ingressos estavam esgotados (lembram, foi aquele que eu tentei pegar antes) e não tinha nada de e-ticket. Daí apelei pro jeitinho brasileiro. Atenção crianças, não façam isso. Isso é errado.

Peguei o e-mail do primeiro show e mudei o dia e o local com os dados do segundo show. Então pedi pra imprimir aqui, como se eu tivesse recebido aquele e-mail. Só que pra esse dia nunca houve nada de ingressos na internet.

Mas resolvi tentar assim. E fui pra lá mais cedo. Era mais perto, aqui em Carrboro, 15 minutos de distância. Bom sinal, consegui um lugar pra parar o carro. Achei o lugar e o Arcade Fire estava passando o som. Era um local aberto, como uma praça, cercada por grades. Já havia uma fila e então entrei nela.

Daí começou a ladainha do ‘já votou?’. Mas uma menina foi simpática o bastante e falou ‘toma um pin do Obama então. E cola esse adesivo aqui. Daí não te enchem mais’. Mas eu estava preocupado mesmo com a minha entrada. Todo mundo chegando com seus ingressinhos vermelhos e eu lá com a cara de pau e a coragem. Segurei minha onda.

Daí apareceu um tal de Jim McNeal, ou algo assim. Um cara que tava concorrendo ao senado. Ele foi passando pela fila conversando com todo mundo. Político mesmo. Chegou a minha vez.

- Como vai filho? Sou o Jim McNeal e estou concorrendo ao Senado.
- Estou bem, prazer em conhecê-lo, senhor. (apertando a mão do cara)
- O prazer é meu. Que chapéu é esse que você está usando?
(Eu pensei: ahnnn????)
- É um boné da Nike, senhor.
- Ahh, gostei disso!

E foi mais ou menos assim. Então a fila começou a andar. Perto da grade de entrada, todo mundo preenchia alguma coisa no papel vermelho e dava pra menina que jogava na caixa. Então na minha vez, fui direto na garota e disse: “ó, eu tenho esse e-ticket aqui”. Ela falou que pra esse show não havia tickets pela internet e eu disse que haviam me dito que eles valeriam hoje. Daí ela olhou a data e comentou com uma outra: “Na verdade, ele tem mesmo um e-ticket. Então pode entrar”. Jogou o papel na caixa e tascou um carimbão na minha mão. Ufa!!!!! E foi assim que eu entrei. Três segundos depois, já tava colando no palco e o mais longe possível do portão de entrada.

Mais espera. Mas fiquei conversando com um carinha. Daí que ele me contou que o Arcade Fire é canadense, mas que eles começaram na verdade aqui em Durham, NC. Pronto, tá explicado! Ainda comentei que ia ver os Rosebuds e ele falou “boa escolha, bom show”. Puta diferença morar num lugar assim né. Enfim, tô todo queimado de sol. Devo estar parecendo um caminhoneiro, com marcas da camiseta e a minha nuca tá mais vermelha do que a de um legítimo ‘redneck’.

Que mais? Bom, o Arcade Fire tocou Heroes, do Bowie. E eles realmente fazem um puta show. São oito pesssoas no palco, todos cantando, trocando de instrumentos, botando uma energia. Tinha um que tava enlouquecido. No primeiro dia ele se machucou com alguma coisa e ficou tocando com a camisa ensanguentada. No segundo show, ele escalou os três andares de caixa de som e ficou esmurrando um tambor lá em cima, antes de se jogar de volta. Hoje, no final, o vocalista pulou no meio do povo com pedestal, microfone e guitarra e terminou o show ali embaixo.

Pra terminar, o cara que faz todos os posters deles tinha feito uma edição especial de 300, serigrafia, em comemoração aos dois shows, com um desenho dos faróis da Carolina do Norte. Eu tive que comprar um – sobre o qual estou babando até agora – mesmo porque está devidamente autografado pelos 8 Arcade Fire e os 4 Superchunks. Vou tirar uma ‘fota’ depois. Preciso dar um jeito de embalar isso. Ou até mesmo mandar por uma UPS da vida.

O Superchunk é a melhor banda do planeta. Vocês provavelmente não vão entender, mas não dá pra explicar. Eu só posso agradecer por estar aqui nesse época e nessa coincidência espetacular, porque eles só fazem uns dois shows por ano.

Agora à noite vou tentar uma saída. Mesmo porque achei que o dia da comédia era hoje e na verdade foi ontem. Droga. Mas foi um dia excelente.

Superchunk – Precision Auto (live)

Arcade Fire – Intervention

Superchunk

Maio 2, 2008

Nem vou falar mais nada.

Showtime

Maio 1, 2008

Bom, agora já estou em Durham (mais no centro do estado da Carolina do Norte). Eu vim pra cá porque no final das contas consegui um ingresso para ver o Superchunk e Arcade Fire!!!! Yeah!!!! E aqui fica perto das cidades que vão rolar esses shows.

Mas vamos ao dia. Acordei em Ocracoke e fui pegar a balsa das 10:30. Estava com medo de perder e ter que passar o dia lá, então cheguei no terminal uns 40 minutos antes. Deu certo. Peguei a balsa e daí não tinha muito o que fazer. A travessia demora mais de duas horas. Saí do carro e fiquei fazendo uns planos de viagem. Depois aproveitei pra dar uma lida num livro que comprei.

Mas passou rápido. Saindo da balsa fui para Beaufort, uma cidadezinha bem simpática, com seus barquinhos, casas antigas etc. Como já era mais uma da tarde, resolvi almoçar ali. Comei nesse lugar chamado Clawson’s. Fazia tempo que eu não tinha um almoço propriamente dito. Vou te falar que essa dieta de hamburguer tá fogo… E ainda por cima, pra chutar o pau, comi uma torta de limão com café na sobremesa. Café americano, né… não pensa que é espresso não.

Daí me mandei pra cá. É meio longe, só cheguei no final do dia, mas tudo tranquilo. Na verdade nem estou na cidade propriamente dita, mas sim nos arredores. Assim é mais barato. E também fica mais perto pra ver todas as coisas na região. Vou estabelecer aqui como base para os próximos dias. Vai ser bom não ter que ficar arrumando tudo e procurando lugar como estava fazendo todos os dias.

Já eram umas sete horas. Tinha acabado de me registrar e estava dando uma internetada para ver o que fazer. Daí vi que tinha show do American Music Club às 20:30 no ArtsCenter, em Carrboro. Pra falar a verdade nem gosto tanto assim, mas já estava aqui mesmo né. E já aproveito pra conhecer o ArtsCenter.

Tomei um banho e fui pra lá. Demora uns 20 minutos. O difícil foi estacionar. É muito complicado, ainda mais pra mim que não conheço nada. No final das contas achei uma vaga. Não sabia extamente se podia deixar o carro ali, mas resolvi arriscar.

A impressão que tive do ArtsCenter é que ele é tipo o nosso Sesc (apesar de só ter esse prédio). O teatro que ia receber o show tinha acabado de abrir e consegui pegar um bom lugar. Era sentado! Tinha até uma área na frente do palco, mas tinham umas mesas lá. Nem estava lotado; sei lá, umas cem pessoas no máximo.

Daí subiu a diretora da área de música do lugar e apresentou a banda de abertura: Lost In The Trees. Cara, eram 13 músicos, e além do básico – bateria, baixo, guitarra – tinham violinos, cellos, trombones, tubas, xilofones etc. Uma verdadeira orchestra. Eu nunca tinha ouvido falar. Pelo que eu entendi eles são daqui mesmo e estão na escola de música.

Pô, foi bem bonito. Parecia trilha sonora de filme. E tinha umas horas que todos cantavam. Gostei bastante. Depois veio o American Music Club, ou AMC. Eles lançaram um disco recente pela Merge e estão em turnê. Na verdade, se trata de uma banda antiga, que sempre teve algum sucesso de crítica, mas nunca comercial. Como eu disse, não sou muito fã, mas foi um bom show. O vocalista era um cara engraçado e ficava conversando toda hora. Meu, acho que foi uns 65% de música e o resto de falação. Ele ficava fazendo umas piadas e contando como tinha escrito cada música. O cara era bem louco. Agora vai saber se é verdade ou não…

Gravei esse vídeo e tirei umas fotos. Amanhã: Superchunk!!!!

Lighthouse day

Abril 30, 2008

Ahh, o sol voltou! Apesar do vento, foi um dia quente. Só mesmo à noite precisei por calça e uma camiseta de manga longa.

Comecei o dia no Memorial dos Irmãos Wright. Foi bem bom. É um parque, que fica no local dos primeiros vôos. Entrei pelo museu, com explicações, fotos e objetos contando a obssessão do Orville e Wilbur por voar. Lá tem uma réplica, em tamanho natural, do avião que decolou ali, em 17 de dezembro de 1903. Mas já quatro anos antes eles estavam trabalhando com planadores e fazendo teste, tentativas etc. Bem, foi legal porque eu peguei uma park ranger dando uma explicação sobre os problemas que eles tiveram que resolver, e mostrando como funcionava o avião. A história que ela conta chega a ser emocionante.

Ao lado desse museu tem a “pista” e uns marcos com as distâncias dos quatro vôos feitos naquela manhã. Pelo que eu entendi, depois aconteceu alguma coisa que detonou o avião. Tipo, bateu uma lufada de vento muito forte, virou o bicho e quebrou tudo. Eles escolheram aquele local por causa do vento forte e das dunas de areia, que possibilitavam uma área sem muitos obstáculos.

Também tem um monumento erguido em pedra, em cima de um monte, homenageando o feito dos Wright. Atrás desse monte tem uma escultura em bronze do momento da decolagem: Orville pilotando, Wilbur ao lado e mais umas pessoas que estavam presentes, além de um fotógrafo, com uma câmera. Achei legal a explicação do artista. A foto tirada na hora mostrava o momento da decolagem vista por trás. Ele quis recriar aquela situação para que pudéssemos observar por outros ângulos e perspectivas.

Depois comecei a descer os outerbanks, fazendo várias paradas no caminho. Parei no farol de Bodie Island e passei por algumas praias desertas e outras cheias de surfistas, windsurfistas e kitesurfistas. Descendo mais cheguei em Cape Hatteras, e mais um farol, o mais alto dos Estados Unidos. Esse dava pra subir, então lá fui eu.

Mais pra baixo tive que pegar uma balsa (de uns 20 minutos navegando) para chegar em outra ilha, Ocracoke Island. É onde estou agora. Aqui, ainda fui ver um outro farol, mais diferente, mais gorducho e então fui procurar um lugar pra ficar. Já era fim de tarde e pra sair daqui só fazendo o caminho inverso ou pegando outras balsas, que levam umas duas horas e meia pra chegar no continente.

Aqui não tem Mc Donald’s, Starbucks ou Holiday Inn. É quase como uma vila. Acabei escolhendo esse hotel que tinha wifi. Quando cheguei a menina da recepção estava no carro, indo embora (não eram nem seis horas), mas daí ela abriu de novo pra me receber. Que sorte.

Larguei o carro aqui e tentei dar uma volta, mas aqui não tem nada específico (tirando o farol) para ver. Voltei pro quarto, tomei banho e fui até a ponta da ilha onde consegui pegar um pôr do sol. Como estava morrendo de fome (nem lembro a última vez que realmente almocei) saí pra comer alguma coisa. Fui no Howard’s Pub – que é o lugar mais famoso aqui. Amanhã preciso pegar a balsa das 10:30, senão só à tarde.

The outerbanks

Abril 29, 2008

Oi. Estou com areia até no…
But first things first (ou: não vamos por a carroça na frente dos bois).

O tempo fechou de vez e amanheceu chovendo hoje – segunda. Então eu realmente resolvi fazer um movimento lateral. Em vez de continuar subindo, eu fui para noroeste em direção a Raleigh. Objetivo: conseguir ingressos para um show do Arcade Fire + Superchunk em favor do Obama.

Cheguei lá e pedi os tickets pra menina, mas ela falou que tinham acabado. Shit… Ao invés ela me ofereceu um donut, ao que eu respondi “cê tá de brincadeira né?”. Bom, fiquei sem os ingressos, mas ainda preciso dar um jeito de conseguir. Qualquer ajuda é válida.

Já era meio-dia e então resolvi voltar aqui pra costa. Mas já rumei sentido nordeste para fazer essa parte de baixo para cima. Estou agora nesse lugar chamado de Outerbanks (ou OBX). É uma faixa de terra de umas 130 milhas de cima abaixo que corre paralela à costa. Uma região não muito explorada, onde o forte mesmo é a natureza.

Estou hospedado nessa cidade chamada Kill Devils Hill. Aqui é uma cidade do lado da outra, mas nem parecem cidades. São duas avenidas que correm paralelas e daí tem as casas das pessoas e os outros estabelecimentos públicos, comerciais etc.

Dizem que tem esse nome por causa do gosto forte do rum que chegava na praia depois de naufrágios. Que, os locais diziam, iria ‘kill the devil’. Os piratas, incluindo o Barba Negra, controlaram essas águas no passado. Haarrr…

Enfim, foi aqui também que os irmãos Wright fizeram seu primeiro vôo (Rá, o que durou uns 12 segundos em uns 40 metros). Ok. Tem um memorial e tudo. Tentei visitar, mas faltavam 20 minutos pra fechar, então nem dava tempo. Já era tarde também e não valia a pena dirigir mais. Resolvi ficar por aqui mesmo. Como não tem muito o que fazer, fui num parque estadual chamado Jockey’s Ridge.

E foi bem legal. São umas dunas de areia que chegam na água, e daí vira uma área verde, com pinheiros. Bom, tava ventando pra caramba (lembram dos irmão Wright?), então peguei um casaco e saí pra explorar. Não tinha absolutamente ninguém. Olhei um mapinha numa placa e lá fui eu.

Comecei a andar e era tudo areia e morros pra cima e pra baixo. Mas tem uns postezinhos com uns números pra ir seguindo. Mas não pensa que é perto um do outro não. Você chega no poste e tem um número e uma flecha. Daí você segue mais ou menos aquela direção até achar outro poste.

Por um momento fiquei com medo, porque não tinha ninguém lá e ventava tanto que acabava apagando as minhas pegadas. Teve uma hora, após o 7, que o vento ficou tão forte que eu não conseguia ir em frente. Parecia que estava levando mil picadas de agulha por causa dos grãos de areia. Tentei me esconder atrás de um monte, mas não adiantou. Tinha resolvido voltar, mas daí eu pensei “mas que diabos” e lá fui procurar o 8.

Achei o 8 e o 9, já perto da água, na parte da floresta. Então não achei mais o próximo. A não ser que tivesse que passar pelo mar e eu não quis me aventurar. Comecei a voltar, só que uma hora me perdi e achei a placa 13. Pronto, fiz uma engenharia reversa e cheguei no ponto em que eu tinha desistido, mas não vi o poste número 10, não estava em nenhum lugar.

Pelo menos completei a trilha. Voltei contente para o estacionamento e o carro. Um pensamento: o bom aqui é soltar pipa. Preciso achar uma!!

Well, amanhã vou tentar visitar o memorial dos Brothers. Será que eu consigo convencer alguém que quem inventou o avião foi o Santos Dumont????

ps: no caminho pra cá teve uma parte da estrada que dizia: “Atenção: Ursos” e também “Passagem de Lobos Vermelhos”. Não vi nenhum nem outro. Saco. E ainda liguei a tv e vi que o condado aqui – o Dare County – está com um aviso de tornado em observação. Sai pra lá!

Here on this mountaintop
Woh ho ho
I got some wild, wild life

Here comes the doctor in charge
Woh ho ho
She got some wild, wild life

Spending all my money and time
Woh ho ho
Done too much wild, wild life

I know that’s the way you like it
Woh ho ho
Living a wild, wild life

Wild wild life – of Montreal (talking heads cover)

Hell yeah! O CD e a Hillary.

Abril 28, 2008

Estou em Wilmington, North Carolina. Apesar do domingo, quando as coisas parecem mais paradas foi um dia muito bom. Saí de Charleston logo cedo e vim parar aqui. Tentei chegar num parque nacional no caminho, mas não achei a entrada, daí desencanei.

Tentei pegar algum trecho que viesse pela costa, mas também não deu certo, acabei vindo pelo continente mesmo. Nem vi as praias. Na altura de Myrtle Beach é engraçado. Tem um monte de parques de diversão na estrada, além de um monte de lugares de mini golf. Cada um com um tema e cenários diferentes: piratas, dinossauros, tubarões, aviões, índios etc etc etc. Se tivesse alguém pra jogar junto aqui eu até pararia. Deve ser divertido!

Mas enfim, fiz minha entrada triunfal aqui na Carolina do Norte e cheguei em Wilmington. Eles chamam essa região de Cabo do Medo (sim, igual o filme). A cidade fica na foz do Cape Fear River. Parece que tem esse nome dado há muito tempo pelos marinheiros que temiam ficar encalhados em água rasas. Do outro lado rio está ancorado o USS North Carolina. É um navio de batalha; acho que esteve na segunda guerra mundial.

A rua principal, em frente ao rio, é muito legal. É tomada por lojas, restaurantes, bares e cafés. E tudo funciona onde eram os velhos armazéns do porto. O velho mercado está cheio de lojinhas e existem vários brechós também.

Vários filmes tiveram locação aqui, como Veludo Azul (yes!) e as séries Dawson’s Creek e One Tree Hill. E ainda tem um grande estúdio de cinema perto (passei por ele no caminho) chamado Screen Gems.

Agora, podem me chamar de louco, mas aqui já dá pra perceber porque a Carolina do Norte é especial. Entrei numa loja de discos que era simplesmente o máximo. Parecia a loja do “Alta Fidelidade”. Muuuuito legal. Tinha de tudo, além de vinis e cds usados. Enquanto fiquei lá estava rolando um Grandaddy e um Flaming Lips. Bom demais! Acabei pegando um do Rosebuds. Daí quando fui pagar o cara do caixa comentou que ele gostava bastante desse disco em particular. Eu falei que estava indo no show em Chapel Hill e que estava comprando porque eles são daqui, da Carolina do Norte.

Ele disse que eles começaram aqui em Wilmington e depois se mudaram pra região do Triângulo. Pô, essa eu não sabia, melhor impossível. Pedi pra tirar uma foto da loja. Depois, eu ainda ouvi no rádio (estava na estação local) o locutor falando “suportem as bandas e as lojas locais” e citou alguns bares e a loja de discos, a CD Alley, porque lá eles conhecem e podem te ajudar e etc.

Bom, pra fechar o dia começou a maior movimentação ali no centro. Um monte de polícia. Começaram a fechar as ruas para os carros e começaram a montar uma estrutura num espaço reservado. Era a Hillary Clinton que vinha pra cá fazer um discurso.

Daí chegaram vários caminhões de emissoras de TV, jornalistas e tal. Fiquei só vendo. O negócio foi crescendo. Apareceu um monte de gente do comitê, destribuindo bottons e adesivos. Daí foram chegando as pessoas com cartazes e tudo mais. Para entrar na área e ver ela falando tinha que preencher uma ficha e passar pela segurança.

Eu tava só espiando e veio uma mulher perguntar se eu não ia ouvir a Hillary falar. Expliquei que não porque não voto aqui mesmo e estava só passeando. Por curiosidade eu até gostaria de esperar ela chegar e ouvir o discurso, mas ia demorar ainda. Peguei um sorvete muito bom numa sorveteria e voltei aqui pro hotel – que fica afastado – para arrumar umas coisas. À noite fui de novo para o centro afim de ir em algum dos bares.

Queria ir nesse aqui; o soapbox, que é um bar com lavanderia(!), mas tava tão vazio que desisti. Acabei indo no Hell’s Kitchen. Também não estava tão cheio (acho que porque é domingo), então fiquei um pouco e voltei pra cá.

Amanhã vou tentar uma coisa. Veremos!

ps: e o Obama vem aqui na terça. Acho que está na época das primárias aqui. Não sei bem como funciona esses sistema deles. Ah, e ainda teve um naviozão de carga que o Prático trouxe pelo rio. Bem legal.

Carolina

Abril 27, 2008

Cheguei na Carolina do Sul. Agora estou em Charleston, que é a capital do estado. Tem algumas semelhanças com Savannah porque também serviu de porto para exploração do comércio de algodão.

É uma cidade mais rica. Tem um monte de casas naquele estilo clássico, enormes, e cheias de varanda em frente a baía.Passeie a pé por toda essa parte e é realmente bonito. Tanto aqui como em Savannah daria pra morar tranquilamente, porque combinam um pouco o charme europeu com as praticidades e facilidades americanas.

Charleston também é uma cidade militarizada. Tem uma base militar aqui perto e também uns fortes históricos da época da guerra civil. Além disso tem um museu naval, com um porta aviões que fica ancorado aqui. Eu só vi de longe, mas dá até pra visitar. Vi uns caras com uniforme da marinha andando por aí.

Aqui o pessoal anda muito mais arrumado também. Não sei se estava rolando alguma coisa especial, casamentos, formatura de militares ou algum evento, mas vi várias pessoas muito bem vestidas na rua.

Usei o truque de ficar mais afastado do centro da cidade e passei no supermercado também. Agora vou baixar umas fotos, pesquisar umas coisas e resolver o que fazer.

Sabadão

Abril 27, 2008

Tirei meu pé atrás com Savannah. Realmente é uma cidade muuuito interessante. Acho que é um exagero dizer que é a mais bonita dos Estados Unidos como já fez o Le Monde, mas tem muitos encantos.

Resolvi pegar um trolley que faz um percurso de 90 minutos por toda a cidade mostrando os prédios e casas históricas. O sotaque do motorista / guia era um pouco difícil de entender, mas valeu para ter uma noção melhor do lugar. Quando terminou o tour, novamente saí a pé para ver o que tinha gostado mais.

Vários filmes tiveram locação em Savannah, com destaque para o Forrest Gump. Aquela cena que ele fica sentado num banco esperando o ônibus com a caixa de chocolates foi feita numa praças da cidade. O banco original não está mais lá (foi movido pro centro de turismo) e plantaram uma flores no local.

Outra coisa interessante é que a cidade é dominada pela Faculdade de Artes e Design, a SCAD (Savannah School of Arts & Design). É uma faculdade meio nova – tem uns trinta anos – mas eles foram comprando vários prédios no distrito histórico, foram reformando e ocupando. Por onde você passa, tem um prédo ocupado por eles. E então eles promovem várias coisas legais. Por exemplo, nesse sábado rolou o Festival de Arte na Calçada!

No Forsyth Park, eles separaram pedaços da calçada para os alunos (e ex-alunos e quem tivesse se inscrito) fazerem seus desenhos, expressarem sua criatividade etc. A maioria usava giz, mas outros pintavam também. Tinha gente que tinha feito rough, tinha gente quadriculando o espaço para poder desenhar com mais proporção, tinha gente fazendo direto e tinha gente toda suja já. Era legal de ver e tava lotado. Uns já estavam terminados, outros começando, outros ainda vazios.

Além disso, num canto do parque tinham umas barraquinhas vendendo comida, outro espaço para rolar uma música, barraca que vendia camisetas, uma parte para crianças e por aí vai. Bem simples, mas organizado. Nas partes verdes as pessoas ainda jogavam, faziam piquenique, churrasco etc.

Saí da lá e ainda fui dar outra volta. São as praças, as casas, as escadas, os portões e todos os pequenos detalhes escondidos que fazem Savannah uma cidade legal. Daí o tempo fechou um pouco, começou a garoar e eu resolvi me mandar. ‘Bora pra Carolina.

Georgia on my mind

Abril 26, 2008

Pois é, já estou na Georgia. Na verdade, já estou bem no norte da Georgia, nessa cidade chamada Savannah.

De manhã, ainda visitei o farol de St Augustine e fui ver a tal fonte da juventude. O local marca o ponto em que o Ponce de Leon (o Cabral deles) desembarcou e tomou posse das terras, que ele chamou de “La Florida”. Tomei um copinho com a água da fonte, mas devia ter levado uma garrafinha vazia porque eles enchiam lá na hora pra você.

Depois foram milhas e milhas de estrada. O litoral da Georgia é muito acidentado e não tem nenhum caminho que siga o oceano. Viajei por uma estrada mais a oeste, paralela a highway interestadual. Para chegar no mar você precisa fazer desvios em pontos específicos. Acho que a costa é basicamente dominada por parques estaduais, sem a presença de muitas cidades. São lugares legais para curtir a natureza, acampar e passar mais tempo. Então segui basicamente na estrada (queria ter feito um desses desvios, mas acabei perdendo o ponto de saída).

Mas a estrada, apesar de longe da costa, é bem bonita também, passando por muitas áreas verdes. Aqui já apareceu essa árvore característica do sul: o willow. Não sei como seria em português, mas parece um chorão gigante. Tem em todo lugar. Aquelas casas de madeira perdidas no meia da estrada também.

Só parei para abastecer num lugar que a gasolina estava mais barata e visitei a menor igreja da américa do norte. Uma capelinha com altar e 12 lugares na beira da estrada. Entrei e fiz uma oração. Não fica ninguém lá. E quando parei só estava eu também. Na porta tem um aviso pedindo pra fechar bem a porta quando sair!

Daí cheguei aqui em Savannah, que já é bem no norte do estado. É uma cidade grande. Não tive uma primeira boa impressão, acho que cheguei na hora do trânsito e vim parar aqui no centro. O local de informações para turistas já estava fechado. Procurei um lugar pra ficar e então saí para explorar e tentar comer algo porque estava morrendo de fome (comi meus últimos dois twix no caminho, mas ainda tenho os cookies).

Aqui é meio portuário e lembra um pouco alguma cidade mais européia, com os prédios antigos. Ainda não sei se eu gostei ou não. Amanhã vou passear melhor pra tirar essa dúvida. Comi num pub irlandês, o Murphy’s Law.

Bom, depois conto mais. Ainda preciso resolver o que fazer.

and I’ll love you always
when we leave this place
and drive back to Carolina
and down to Savannah and stay

Band of Horses – Part One

San Agustín

Abril 25, 2008

Ok. St Augustine é a mais antiga cidade americana e foi fundada pelos espanhóis em 1565. Os ingleses em diversas oportunidades tentaram tomar a cidade à força, mas nunca conseguiram. Eles só tiveram o controle aqui porque trocaram por Cuba.

Depois teve um tratado que deu a Flórida para a Espanha, em reconhecimento dos seus esforços de colonização. Em 1821, em outro acordo, nossos amigos americanos, compraram a Flórida dos espanhóis.

Bom, a cidade é bem turística e tem várias dessas coisas “mais antigo disso”, “mais velho daquilo”. Também… foi o primeiro assentamento que vingou.

Como fiquei nesse lugar um pouco mais afastado do centrinho – onde estão todos os sítios históricos – tive que pegar o carro para ir lá e deixei num estacionamento. Mas aqui é assim mesmo, não tem jeito.

Primeiro dei uma volta pela ruazinha principal, que é lotada de lojinhas de souvenirs, além de casas históricas e locais para comer alguma coisa. Tava cheio de turistas, inclusive excursões escolares. Ainda passei para olhar outros prédios históricos e então comprei um ticket para visitar o Castillo de San Marcos, que é um forte construído pelos espanhóis para defesa do local.

Ele tem um design em forma de estrela, que permitiu sempre se defender com sucesso quando atacado. Na parte de cima, junto as amuradas, estão expostos vários canhões que cobriam linhas de fogo em todas as direções. Na parte debaixo ficava a área de “vivência” do lugar e os vários ambientes foram transformados em exposições, com fotos etc. Inclusive com uma salinha de cinema improvisada, onde rolava um filminho explicando tudo isso.

Daí, um “park ranger”, vestido com as roupas antigas começou a dar uma explicação no meio da praça central. Estava bacana até, mas começou a chover, então eu me mandei para o… Ripley’s Believe it or not Museum! Sim, tem um museu do Acredite se Quiser aqui.

Cheguei lá meio molhado, mas era um bom lugar pra ficar durante a chuva. E além disso, era bizarro. Não tem muito a ver com o resto da cidade né, mas enfim… Bom, era um prédio de uns 3 andares e você ia andando pelas áreas, com todos aqueles fatos e histórias absurdas. Tinham umas partes interativas bem legais também.

Saindo de lá a chuva já tinha passado. Dei mais uma voltinha pelas redondezas e peguei o carro para voltar ao Budget Inn. Tomei um banho, arrumei umas coisas, roupas, fotos etc.

Fui comer, de volta na cidade, no Scarlett O’Haras. Mandei ver num hamburguer meio diferente e uns chopps Budweiser. Ainda dei mais um último rolê pelas ruas à noite, aproveitando que o carro já estava estacionado. Acho que eles têm mania de assombração aqui, mas não vi nada demais, hahaha.

Amanhã ainda falta ir na fonte da juventude. Tem um farol – que eu vi na vinda – que eu também achei legal. Eu gosto de farol; talvez também passe lá antes de seguir viagem.

Ahh, dois fatos curiosos no caminho de Cocoa Beach para cá. Primeiro, passei por uns presos trabalhando no acostamento. Tipo filme mesmo! E quando estava quase chegando aqui, teve um cara num carro que parou no meio da estrada só pra tirar uma tartaruga que estava passando por ali. Parou, desceu, pegou a bicha e levou pruma grama mais segura.

Silver scents of saint augustine
fire in the ground
between my better teeth
we’re dancing on the poison in their graves
at the end of the night
we’d all seen better days

St. Augustine – Band of Horses

Saint Augustine

Abril 24, 2008

Cá estou eu em St. Augustine. Acabei de me registrar nesse hotelzinho. Foram 130 milhas desde Cocoa Beach, mas acabou sendo bem mais rápido que ontem.

Aqui tem praia, mas eu estou na parte da cidade, que é histórica. É o mais antigo assentamento americano, feito pelos colonizadores. Acabei de comprar uma pepsi aqui na máquina e fiz meu almoço com os restos do jantar de ontem e do café da manhã. Rendeu!!! E ainda tem uns twix e uns cookies.

Bom, aqui tem bastante coisa pra ver. Vou dar um rolê lá e à noite faço um relato mais completo.

Hitting the road

Abril 24, 2008

Hoje, quarta-feira, foi dia de estrada. O Érico precisou sair cedo para o trabalho, mas eu ainda fui com a Lu num parque ali perto levar o André para passear. Ainda de manhã resolvi pegar a estrada. A idéia era seguir para o Norte seguindo a costa.

Foi um dia longo, porque o litoral é todo recortado e tive que fazer vários desvios, além de ir passando por várias cidades. Acho que andei umas 160 milhas (250 kilômetros). Não é tanto, mas é cansativo, apesar de ser muito muito bonito.

Bom, fui indo para o Norte, sempre tentando acompanhar as praias. Começou por Fort Lauderdale e já deu vontade de parar ali, hahaha. Mas segui em frente. Entre outros lugares, passei por Palm Beach, onde só tem umas puta casas e campos de golfe, além da praia de areia branquinha e mar verde.

Depois parei num Starbucks para poder usar o banheiro. Comi um cookie gigante e tomei um café. Foi o meu almoço. Depois acabei chegando em Vero Beach, uma prainha bem simpática, numa rua bem bacana, cheia de lojinhas. Parei ali, dei uma volta a pé em pensei em ficar, mas o tempo começou a mudar e estava um vento forte, então resolvi seguir em frente mais um pouco (30 milhas) e acabei parando aqui em Cocoa Beach, onde estou agora.

Cheguei ao entardecer, então nem deu tempo de ver a praia (o tempo continuou ventoso e esfriou um pouco). Vou dar uma volta lá amanhã. Aqui parece ser um lugar de surfistas e está perto da base espacial do Cabo Canaveral. Parece que era aqui que moravam os personagens daquele seriado “Jeannie é um gênio”. Acabei me hospedando nesse motel chamado Fawlty Towers. Pensei em ficar no Motel 6, por causa da música do Yo La Tengo, mas aqui é mais bizarro.

Passei num Publix (supermercado) e comprei umas bobagens para comer aqui mesmo e amanhã de manhã. Também bizarro é um lugar que tem aqui do lado chamado Ron Jon’s Surf Shop. É uma loja gigante, que fica aberta 24 horas, com tudo que você imaginar para surf, praia, skate etc. É bem engraçada, tem umas cascatas lá dentro…

Amanhã vou dar umas voltas aqui e depois continuar subindo. Vou tentar chegar em Saint Augustine, onde supostamente tem a fonte da juventude. Veremos.

ah, vou tentar colocar umas ‘fotas’.

I asked the painter why the roads are colored black.
He said, “Steve, it’s because people leave
and no highway will bring them back.”

(Silver Jews – Random Rules)

Fui

Abril 19, 2008

Bom, agora vai! The road is calling.
Todos os caminhos levam para o Norte.
Sem muito roteiro. Mas vocês me acham aqui.

Não sei o que vai rolar. Só sei que dia 6 de abril
tem Rosebuds no Cat’s Cradle.

No way to change
what’s been said and done
I set my own course
and I try to carry on

(The Rosebuds – Silja Line)

Checklist

Abril 16, 2008

Coisas que eu quero fazer em Chapel Hill (ou na região do ‘Triângulo’):

Assistir um show no Cat’s Cradle (ok, estou indo no Rosebuds);
Comprar uma camiseta na Mini Cassette Tees;
Comer e beber no Carolina Brewery;
Visitar a Merge Records;
Visitar o Nasher Museum of Art;
Beber uma Guinness no The Joyce;
Comer uns burritos no Carrburritos;
Comprar um Toy na Wootini;
Tomar um café da manhã no Ye Olde Waffle Shop;
Assistir uma Stand-Up Comedy local;
Passar no ArtsCenter;
Comer uma pizza no Pepper’s Pizza;
Olhar as estrelas no Morehead Planetarium;

to be continued…

Well I tought that
You said that
We were gonna
So come on

(Superchunk – Sick to Move)